Os pecados capitais da poupança: a inveja

inveja Os pecados capitais da poupança: a invejaÉ inevitável. Tal como sucede com qualquer outro ser humano, um dia você será confrontado com alguma coisa que não possui, ou de que não pode usufruir, e vai sentir vontade de que ela seja sua, ou que pudesse ser você a tirar gozo e proveito dela.

Provavelmente, isto aplica-se até mesmo no caso da mais pura e idealista das criaturas. Se pensarmos bem, já todos sentimos inveja de alguém por ter ou dispor de algo que nos é inacessível.

Quer se trate de um carro melhor, de uma viagem a um destino exótico e luxuoso, de um telemóvel topo de gama, de uma casa maior e de melhor construção, por vezes desperta-se em nós um apelo quase irresistível, o de ter algo que nos vai ser muito difícil pagar e manter.

Este artigo pretende ajudá-lo a lidar melhor com este tipo de situações. Uma vez que tentações destas podem provocar autênticos descalabros financeiros, será conveniente adoptarmos estratégias, atitudes e formas de pensar que nos ajudem a evitá-las.

UMA QUESTÃO DE LUCIDEZ

Há uma grande variedade de motivos para que o apelo do consumo de bens ou serviços seja tão forte. Alguns deles serão seguramente bem fundados e não queremos cair no exagero de afirmar que toda a gente pode ser feliz apenas com uma cabana numa ilha e uma cana de pesca. Quando vemos alguém usufruir de alguma coisa que nos é inacessível, acaba por ser natural que a desejemos também, imaginando o gozo e a satisfação que ela nos poderia proporcionar.

Contudo, tal como acontece em quase tudo na vida, o que é realmente importante e proveitoso é encontrar um ponto de equilíbrio. Uma posição, uma atitude que nos permita conciliar a ambição de ter uma vida com mais qualidade e conforto com os custos que os nossos hábitos de consumo acarretam.

Essa atitude passa, em grande medida, por questionar os desejos que dão origem ao sentimento de inveja. Passa por fazer perguntas como: será que preciso mesmo disto? Será que isto é mesmo importante? Será que vai ter um impacto positivo e duradouro na minha vida?mulher-mealheiro Os pecados capitais da poupança: a inveja

Estas questões tornam-se ainda mais importantes no caso de esses desejos implicarem gastar mais dinheiro. Quanto a este aspecto, é essencial reter sempre uma ideia: é muito frequente que o gasto de dinheiro implicado na compra de um produto termine no acto da compra. Bem pelo contrário, não podemos esquecer que muitas destas aquisições implicam gastos continuados e, por vezes, bastante pesados com a sua manutenção ou com eventuais arranjos.

É importante não perder também de vista que, normalmente, quanto mais caro é um bem ou produto, mais caros serão os gastos que lhe estão associados. Isto sucede, por exemplo, no caso dos automóveis, com as revisões e os arranjos. Outro exemplo válido será o de um casarão. Quanto custará qualquer obra de manutenção? Quanto tempo se perderá a fazer a limpeza de um edifício destes?

Pode não parecer nada do outro mundo, mas ter este tipo de atitude, mais ponderada, é meio caminho andado para tornarmos menos pesados os efeitos da inveja.

TUDO TEM UM CUSTO… MESMO PARA OS OUTROS

O mesmo tipo de atitude deve ser adoptado quando nos colocamos no lugar do outro, de quem quer que seja que possui algo que desperta a nossa inveja. Também aqui devemos parar, pensar duas vezes e questionar mais profundamente a forma como os vemos.

A primeira coisa que imaginamos, normalmente, é que aquela pessoa tem uma sorte tremenda. Isto porque pode ir de férias para o estrangeiro, ou conduzir um elegante automóvel desportivo, ou sentar-se numa imponente secretária de madeiras nobres, ou simplesmente vestir roupa que lhe dê um aspecto mais distinto.

Tentemos, porém, adoptar um ângulo diferente, ver a coisa por outro lado. Que sacrifícios teve de fazer essa pessoa para ter acesso a estas coisas?mulher-rica-ferias Os pecados capitais da poupança: a inveja

É fácil sabermos que, no nosso caso, todas as coisas têm um custo. São resultado de trabalho e de escolhas, e não apenas uma questão de possibilidade. Será que aqueles que aparentemente vivem melhor do que nós têm uma qualidade vida superior? Talvez tenham um trabalho stressante, com responsabilidades pesadas. Talvez se fartem de fazer horas extra. Possivelmente, dedicam quantidades enormes de energia e concentração ao seu ganha pão e terminam o dia esgotados, sem grande capacidade ou vontade de usufruir dos belos produtos que tanta inveja despertam.

NEM TUDO O QUE LUZ É OURO

Muita gente acaba por contrair dívidas, por acumular gastos mensais em cima de gastos mensais, chegando ao ponto de ter dificuldades em pagá-las, ou, pelo menos, tornando quase impossível a tarefa de ir formando uma reserva financeira que os ampare na reforma ou no caso de uma imprevisto qualquer. Será que vale assim tanto a pena? Não deve ser assim tão agradável, passar o tempo aflito, a fazer contas, a pensar se no fim do mês o dinheiro a entrar será suficiente para compensar todos os gastos. O mesmo se pode dizer em relação a sentir ou abdicar de alguma segurança para encarar o futuro com menos preocupações.

Seguindo o mesmo raciocínio: considerando a recompensa, será que estávamos dispostos a fazer os mesmos sacrifícios? Será que valia a pena? Essa opção seria inteligente?

Muitas vezes, depois de pesados todos os factores, a resposta a estas perguntas será negativa. E assim, também os motivos para sentirmos inveja farão muito menos sentido.

INVEJA VS. POUPANÇA – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tal como vimos neste artigo, os efeitos da inveja podem resultar num apelo muito forte para gastar dinheiro. Além de todos desejarmos usufruir dos melhores bens e serviços, também queremos ser respeitados na comunidade a que pertencemos, qualquer que ela seja. E, como bem sabemos, infelizmente acontece muitas vezes tentar obter esse respeito projectando uma imagem de sucesso.

Já sabemos que não se pode ter tudo na vida e, por vezes, uma compra ou investimento irreflectido pode acarretar problemas em coisas que são de enorme importância para a nossa vida. É precisamente por estes motivos que a inveja exige cuidados e atenções redobrados. Estes cuidados devem estar aliados a uma atitude lúcida, que nos permita perceber até onde podemos ir nos nossos consumos e entender qual é a sua real importância nas nossas vidas. Porque, feitas as contas, há coisas bem mais importantes que podem sair prejudicadas se lhe cedermos.

Texto da autoria de Bernardo Ferreira

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