Casas em Portugal atingem novo máximo histórico: veja onde os preços subiram mais (e menos)
Comprar casa em Portugal atingiu novo recorde de 3.019€/m². Descubra onde os preços dispararam e a única capital de distrito onde ficou mais barato comprar em 2026.

Se estava à espera que a “bolha” rebentasse ou que os preços estagnassem para comprar casa, os dados do final de 2025 trazem um choque de realidade. Em dezembro de 2025, comprar casa ficou 6,8% mais caro do que no ano anterior, com o preço mediano a fixar-se nos 3.019 euros por metro quadrado.
Segundo os dados revelados no relatório anual de preços do idealista, este valor representa um novo máximo histórico. Para quem faz contas à vida, a matemática é direta: uma casa de 100m² tem agora um valor mediano de referência superior a 300 mil euros. Mesmo numa análise a curto prazo (trimestral), a subida foi de 2,6%.
Lisboa e Porto: O custo das grandes cidades
Lisboa mantém o estatuto de cidade mais cara do país. O preço mediano na capital roça agora os 6.000 euros (5.995 euros/m²), após uma subida anual de 4,8%.
O Porto segue-se na lista, com o metro quadrado a valer 3.885 euros, registando um aumento idêntico de 4,8% face ao ano passado.
As cidades mais caras para comprar casa completam-se com:
- Funchal: 3.861 euros/m²
- Faro: 3.435 euros/m²
- Setúbal: 3.010 euros/m²
Onde os preços mais dispararam
Embora Lisboa seja a mais cara, não foi lá que os preços mais aceleraram. A “febre” imobiliária alastrou-se a outras capitais de distrito e às ilhas.
Santarém liderou as subidas nas capitais de distrito, com um aumento expressivo de 27,1%. Seguiram-se Beja (20%) e Setúbal (17,2%), provando que a pressão da procura está a descentralizar-se.
A nível nacional, os recordistas de valorização encontram-se nas ilhas, embora com preços muito distintos:
- Porto Santo: Registou a maior subida do país (42,6%), atingindo os 3.729 euros/m².
- Ilha do Faial: Subiu 29% (preço médio 1.741 euros/m²).
- São Miguel: Subiu 20,2% (preço médio 2.314 euros/m²).
A oportunidade no Norte (e a exceção de Vila Real)
Num cenário de subidas generalizadas, a região Norte destaca-se pela estabilidade. Foi a zona onde os preços menos oscilaram, mantendo-se praticamente inalterados com uma variação de apenas 0,5%.
Mais relevante para quem procura casa barata: Vila Real foi a única capital de distrito do país onde os preços desceram, registando uma queda de 6,1% para os 1.317 euros/m².
As capitais de distrito mais baratas
Se o seu orçamento é limitado, o interior continua a oferecer as melhores oportunidades. Estas são as únicas capitais de distrito onde o metro quadrado ainda custa cerca de 1.000 euros:
- Guarda: 976 euros/m² (a cidade mais barata do país)
- Portalegre: 985 euros/m²
- Castelo Branco: 1.045 euros/m²
- Bragança: 1.104 euros/m²
Panorama Regional
A Área Metropolitana de Lisboa continua a ser a região mais cara (4.239 euros/m²), seguida pelo Algarve (3.870 euros/m²) e pela Madeira (3.715 euros/m²).
Os Açores, apesar de terem registado a maior subida regional do país (20,1%), apresentam um preço médio de 1.972 euros/m², o que os coloca ainda abaixo do preço médio da região Norte (2.452 euros/m²).
O Centro mantém-se como a região mais acessível para habitação em Portugal, com um custo mediano de 1.716 euros/m².
Conclusão: Um país a duas velocidades
Os dados de 2025 mostram claramente que já não existe um “mercado imobiliário nacional” homogéneo. Existem, sim, dois cenários distintos: um litoral e ilhas em forte aceleração, impulsionados pela escassez e procura externa, e um interior (e Norte) onde os preços estabilizaram ou estão mesmo a corrigir.
Para quem quer poupar, a flexibilidade geográfica é hoje o maior trunfo financeiro. Comprar casa a 100 km de distância pode significar uma poupança de centenas de milhares de euros e uma qualidade de vida financeira superior.




