Transferir Crédito Habitação – É Boa Altura Para Avançar?

Mesmo em tempos de Covid-19, uma transferência do crédito habitação pode resultar em poupança na prestação. As condições dos novos contratos de habitação estão melhores, com spreads desde 0,95%, Euribor negativa e oferta dos custos da transferência.
Transferir crédito habitação

Muitas pessoas que adquiriram um empréstimo para pagar a casa há uns anos podem olhar para as condições aplicadas atualmente e preferir que o seu contrato fosse assinado em 2021. A verdade é que o seu contrato de crédito habitação não é “intocável”, sendo possível trocar para uma solução melhor.

Com a situação pandémica a prolongar-se, os bancos tiveram de encontrar formas de apresentar melhores condições para que se pudessem fazer novos financiamentos e angariar clientes. Por isso, esta pode ser uma boa altura para baixar a prestação mensal e ter um crédito habitação mais barato.

O que é uma transferência de crédito habitação?

Uma transferência de crédito habitação possibilita que o antigo contrato de crédito seja terminado, dando lugar a um novo contrato com melhores condições. Ou seja, é como se fosse feito um empréstimo habitação neste momento, sendo que o montante para terminar de pagar a casa é menor e as taxas são atualizadas. Por isso, as mensalidades podem ser reduzidas.

Não poderá fazer uma transferência junto da entidade financeira em que foi feito o empréstimo inicial. Mesmo assim, quando procurar por outras financeiras, há que incluir propostas de várias instituições na sua comparação de forma a analisar toda a oferta do mercado. Só ao verificar todas as opções é que se conseguirá a melhor solução para o seu caso.

5 motivos para fazer uma transferência de crédito habitação

1. Spreads abaixo de 1%

Desde 2008 que o spread não chegava a valores tão baixos. Caso o contrato tenha sido celebrado entre 2011 e 2016, o spread aplicado atualmente é mais reduzido. Esta taxa tem vindo a descer na maioria dos bancos, que querem manter propostas atrativas, sendo que as instituições financeiras já praticam spreads desde 0,95%. Como não é certo que o spread se mantenha nestes números, talvez esta seja uma boa altura para se avançar com uma transferência.

Porém, se o contrato de crédito foi feito há mais tempo e o spread for inferior a 0,5%, não vai ser possível encontrar uma taxa tão baixa. Mesmo assim, existem outros fatores que ajudam a reduzir a prestação, mesmo que o spread suba um pouco para estes casos específicos. É que estamos a falar de um crédito habitação, por isso não podemos só prestar atenção ao spread, mas sim a todas as características do empréstimo.

2. A Taxa Euribor em mínimos históricos

A taxa Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação, avançou a 16 de abril para -0,511%. Mesmo que neste mês a Euribor esteja a subir para contratos de taxa a seis meses, a descer para contratos a três meses e a manter-se para contratos a 12 meses. O importante é que a Euribor apresenta valores negativos há cinco anos para estes três cenários e tem vindo a registar valores mínimos históricos nos últimos meses.

Ao escolher taxa variável no seu novo contrato, estes valores são atualizados consoante o período escolhido no momento do contrato. Assim, poderá ter um contrato que contemple estes números, baixando os custos de encargos do empréstimo. Além disso, como os custos serão mais baixos, poderá amortizar o crédito mais facilmente, diminuindo o montante de dívida mais depressa.

3. Bancos cobrem os custos da transferência

Para fazer uma transferência de crédito habitação, era normal serem cobrados custos para avançar com essa operação. Afinal, trata-se de um novo contrato que precisa de ter nova documentação (como a escritura e a avaliação do imóvel) e que tem serviços associados (como a comissão do dossier).

Como os bancos querem manter a sua atividade no mercado de crédito, estão a oferecer mais vantagens. Por isso, já existem instituições que suportam todos os custos de uma transferência, sendo possível avançar logo com uma poupança assim que o processo termina. Além disso, já não é preciso pagar imposto de selo para fazer uma transferência.

4. Melhores condições de produtos associados ao crédito

Quando se faz um crédito habitação, costuma-se subscrever a certos produtos associados para que se beneficie de melhores condições. Por exemplo, como o seguro da casa é obrigatório para os empréstimos habitação, é possível que ao aderir ao seguro da entidade onde se assina o contrato se possa ter custos mais reduzidos.

Por isso, quando se faz uma transferência, é possível que seja feita uma revisão a esses produtos associados e alterá-los para uma melhor opção tanto em termos de cobertura como de preço.

5. Mais folga financeira no orçamento mensal

Juntando os 4 pontos mencionados anteriormente, consegue-se fazer um contrato com uma mensalidade mais baixa. Além disso, a redução da prestação acontece porque:

  • O montante a financiar para o novo contrato será mais baixo (já pagou o restante da casa com o contrato habitação anterior)
  • Serão aplicadas taxas de juro mais baixas
  • O prazo de pagamento poderá ser reduzido sem que isso interfira com o valor da mensalidade

Desta forma, existirá mais dinheiro disponível na conta no final do mês de forma a que seja feita uma melhor gestão do orçamento. Por isso é que esta solução pode ser uma alternativa às moratórias. Repare que, como as moratórias privadas terminaram a 31 de março e o prazo para as moratórias públicas está a chegar ao fim (em setembro ou dezembro, consoante a data do pedido), esta pode ser uma solução para quem deixa de ter esse alívio temporário no orçamento.

Caso não se encontre nessa situação, uma transferência de crédito já é benéfica o suficiente se chega ao final do mês e vê os rendimentos todos a desaparecem com as suas despesas. É que esse dinheiro extra poderá ser aplicado em poupanças, investimentos, ocorrências inesperadas ou projetos pessoais.

Para que se consiga avançar com esta solução, é preciso que se mantenha uma boa situação financeira e que não se tenha entrado em situações de incumprimento no pagamento das prestações de crédito (que se pode verificar através do Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal). Mesmo oferecendo melhores condições, os bancos continuam a exigir que o possível cliente garanta que vai pagar todas as prestações mensais no momento certo. Por isso, é necessário manter um histórico sem dívidas, para além de ter de apresentar uma situação profissional e rendimentos estáveis.

É também importante que se tenha uma postura atenta quanto ao que está a ser praticado no mercado de crédito e verificar várias soluções antes de se avançar para a proposta de uma entidade financeira em específico.

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