Escolher a melhor proposta de crédito habitação

Encontrar um simulador de crédito habitação é fácil, o difícil mesmo é analisar as diferentes simulações e escolher a melhor. Mas, no meio de tanta informação, com tantos conceitos desconhecidos, como saber aquilo a que deve prestar mais atenção? É sobre isso mesmo que queremos falar consigo e se pensa que a melhor proposta é a que tem um spread mais baixo, então tem mesmo de ler este artigo.

1. Não olhe apenas para o spread

Quando se fala de crédito habitação, há sempre uma pergunta que se coloca: qual é o spread? Porque se criou em torno do spread a ideia de que representa o que se vai pagar pelo crédito, mas na verdade as coisas não funcionam bem assim.

O spread é a margem que as entidades de crédito cobram por um empréstimo e é definido com base num conjunto de indicadores, como o perfil do cliente e as garantias. Muitas vezes o que acontece é que, depois de ter sido feita a simulação de crédito, se propõe ao cliente baixar o spread se aceitar contratar alguns produtos adicionais, seguindo a lógica de que assim fica a pagar menos pelo crédito habitação. Mas a verdade é que dessa forma se está a substituir um custo por outros custos, porque o que se paga a menos no spread, vai-se pagar a mais em taxas associadas a outros produtos.

Portanto, será o spread a melhor forma para avaliar o quanto vai pagar por um crédito habitação? Não. Precisa de ter em conta outros indicadores

2. Analise bem as vendas associadas

Domiciliação do ordenado, cartão de crédito ou de débito, homebanking, seguro de vida ou débito direto, por exemplo, são alguns exemplos de vinculações que as entidades podem querer associar ao crédito habitação, apresentando-as como vendas associadas que irão baixar o spread. Um bom conselho para analisar estes extras é: não subscreva produtos de que não precisa. É uma regra de bom senso e que pode impedir que, com o pretexto de ter um spread menor, acabe por gastar mais dinheiro.

Lembre-se sempre de duas coisas: a contratação destes produtos não pode ser obrigatória para a aprovação do crédito habitação (a entidade apenas pode exigir a abertura e manutenção de uma conta à ordem e, se o imóvel a adquirir estiver em propriedade horizontal, que contrate um seguro de incêndio); há opções de crédito habitação no mercado em que não há qualquer tipo de venda associada, o que lhe evita perder tempo com esta questão.

3. Compare o MTIC

Antes de mais, sabe o que é o MTIC? O MTIC é o Montante Total Imputado ao Consumidor, juntando ao montante total do crédito a pagar todos os custos associados a esse crédito (juros, comissões bancárias, impostos e outros encargos). É por isso um excelente indicador para comparar simulações de crédito habitação de diferentes instituições, porque apresenta ao cliente o montante total que terá de pagar a cada instituição durante todo o período do empréstimo.

4. E não se esqueça da TAEG

Para além do MTIC, a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) é também um bom elemento de comparação entre diferentes propostas de crédito habitação, porque reflete todos dos custos envolvidos na operação de crédito habitação, ou seja, juros, comissões bancárias (comissão de abertura, comissão de formalização, comissão de avaliação, comissão de processamento da prestação, por exemplo), despesas (com impostos e com os emolumentos relativos ao registo da hipoteca, por exemplo) e os custos dos seguros associados ao empréstimo (o seguro multirriscos do imóvel e, na maioria dos casos, também o seguro de vida).

Não veja o simulador de crédito habitação como um bicho papão, que lhe devolve um conjunto de indicadores que não percebe. Antes lembre-se do que significam estes conceitos associados ao crédito habitação, vai ver que quando estiver a analisar propostas ficará tudo mais simples.

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