Etiqueta energética dos eletrodomésticos: o que mudou?

A nova etiqueta energética facilita a comparação de produtos e ajuda-nos a fazer escolhas inteligentes ao comprar eletrodomésticos. Saiba mais…

Novas etiquetas energéticas

Poupar energia em casa é um dos objetivos mais procurados tanto para poupar dinheiro na fatura da luz, como para limitar o desperdício dos recursos naturais utilizados para produzir eletricidade. Um dos elementos que nos pode ajudar nesse sentido é, precisamente, a etiqueta energética.

A etiqueta energética de um eletrodoméstico é um elemento que fornece muitas informações sobre o seu consumo. Basicamente, a etiqueta energética, ajuda-nos a escolher produtos com menor consumo de energia e, portanto, com menores custos de funcionamento. Deve, portanto, ser cuidadosamente consultada aquando da compra de um novo equipamento, pois o seu consumo irá pesar na sua fatura de eletricidade.

Porque foi necessário alterar a etiqueta energética?

Desde que a etiqueta energética foi adotada em 1994, que existiam 7 classes representadas pelas primeiras 7 letras do alfabeto, sendo A os aparelhos mais eficientes em termos energéticos e G os menos eficientes.

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Com o passar do tempo, e com a evolução tecnológica, os fabricantes conseguiram melhorar a eficiência dos seus aparelhos, reduzindo drasticamente o consumo energético. Isto resultou na necessidade de adicionar novas classes, acrescentando um ou mais “+” após o A.

Esta adição de “+” após o A, dificultava bastante a interpretação imediata por parte do consumidor, além disso, seria impraticável continuarmos a adicionar “+” de cada vez que algum fabricante evoluísse os seus equipamentos do ponto de vista energético. Já imaginou, daqui a uns anos, ver um frigorífico classificado como A+++++++++++!? 😛

Tendo isto em mente, a União Europeia decidiu atualizar os requisitos da etiqueta energética.

Desde março de 2021 que vigoram as novas etiquetas com as classes de eficiência energética reconhecidas pela UE para eletrodomésticos. Estas vieram substituir as antigas classes energéticas que todos conheciam, tais como A+, A++ e A++. Este novo sistema de classificação baseia-se numa escala de consumo que vai apenas da letra A à G, ou seja, foi eliminado o uso do “+” e a forma de cálculo da classe energética.

No fundo, a nova etiqueta traz mais notas sobre características importantes do produto, para ajudar o consumidor a decidir se o aparelho que está a considerar comprar é o mais adequado para si e para a sua casa.

Na prática, a etiqueta energética permite-lhe reconhecer imediatamente um aparelho que lhe permitirá poupar dinheiro, de um que o fará gastar mais na sua conta de energia. Uma máquina de lavar roupa, frigorífico e congelador mais eficientes, são, por norma, mais caros na hora da compra, mas irão compensar na fatura da luz a médio prazo.

Para o fabricante, o objetivo da etiqueta energética é incentivá-los a desenvolver modelos cada vez mais avançados que consumam menos energia. Isto resulta num menor impacto ambiental e numa redução significativa de CO₂.

A ADENE e a DECO Proteste publicaram em outubro de 2021 um webinar (com cerca de 30 minutos) com imensa informação sobre a nova etiqueta energética. Se tiver tempo (e quiser), pode assistir aqui:

Analisemos agora com mais detalhe como funcionam as novas classes de eficiência energética dos eletrodomésticos.

Revisão das classes energéticas dos eletrodomésticos

A União Europeia decidiu rever a classificação dos aparelhos domésticos com base no seu consumo de energia, tornando-a mais fácil de interpretar e assim permitir que os consumidores façam escolhas mais informadas e sustentáveis.

Segundo os cálculos efetuados por vários gabinetes de estudo, estimou-se que a nova etiqueta deveria conduzir a uma poupança média de aproximadamente 150€ por ano para o consumidor.

A nova etiqueta de eficiência energética é obrigatória para:

  • Máquinas de lavar roupa
  • Máquinas de lavar e secar roupa
  • Frigoríficos
  • Congeladores
  • Máquinas de lavar louça
  • TVs
  • Arcas de vinho

A nova etiqueta energética sofreu várias mudanças. Para além das novas classes, foi incluída informação adicional útil para os consumidores e ainda um código QR que permite aceder a informação específica sobre o modelo de eletrodoméstico ou fonte de luz. Essa informação consta numa base de dados gerida pela União Europeia – a EPREL (European Product Database for Energy Labelling).

O site Nova Etiqueta Energética disponibiliza a ferramenta Indicador de Eficiência que permite comparar produtos com base nas informações da EPREL e consultar informação técnica sobre os produtos abrangidos pela nova etiqueta energética.

Especificamente, a nova etiqueta apresenta diferentes informações que é importante considerar antes de comprar:

  • Escala de classe de eficiência energética de A a G
  • Marca comercial do fabricante
  • Identificador do modelo do aparelho
  • Código QR do produto para rápido acesso a informações adicionais
  • Consumo de eletricidade em kWh (calculado numa base anual, para 1000 horas ou 100 ciclos, dependendo do aparelho)
  • Informação sobre programas ecológicos
  • Dados sobre o consumo de água
  • Nível de ruído dos eletrodomésticos

A nova forma de atribuição das classes difere em função do tipo de equipamento. Alguns exemplos:

Máquinas de lavar louça

Etiqueta energética das máquinas de lavar louça
Etiqueta energética das máquinas de lavar louça

A nova etiqueta energética para máquinas de lavar louça mostra o consumo de energia para mais de 100 lavagens. Com base neste e noutros fatores relacionados com a potência, é-lhe atribuída uma classificação entre A e G. O rótulo também mostra a capacidade nominal, o consumo de água por lavagem, o tempo de lavagem e o nível de ruído. O nível de ruído é classificado numa escala de A a D.

Máquinas de lavar (e secar) roupa

A etiqueta energética das máquinas de lavar e secar roupa mostra o consumo de energia por 100 lavagens e coloca-as numa categoria entre A e G.

A etiqueta mostra também a capacidade máxima em kg, o consumo de água por lavagem, o tempo de lavagem e o nível de ruído. O nível de ruído é também classificado numa escala de A a D e o desempenho da secagem é classificado numa escala de A a G.

Frigoríficos e congeladores

Etiqueta energética dos frigoríficos
Etiqueta energética dos frigoríficos

A nova etiqueta energética para frigoríficos, congeladores e outras equipamentos de frio mostra o consumo de energia e a posição na escala de consumo de energia de A a G.

A etiqueta também mostra a capacidade de armazenamento. A capacidade é mostrada em litros para frigoríficos e congeladores. O nível de ruído é mostrado tanto em decibéis como numa escala de A a D.

Televisões e monitores

Etiqueta energética das TVs e monitores
Etiqueta energética das TVs e monitores

A nova etiqueta energética para televisores, monitores de computador e ecrãs digitais mostra o consumo de energia por 1000 horas e a eficiência energética numa escala de A a G.

As novas etiquetas energéticas mostram também a eficiência energética para a exibição de conteúdo HDR, uma vez que pode requerer até duas vezes mais energia do que outras definições.

São também incluídas informações sobre a diagonal e a resolução do ecrã para facilitar a comparação com outros produtos.

Lâmpadas

Etiqueta energética das fontes de luz
Etiqueta energética das fontes de luz

O rótulo da lâmpada inclui o consumo de energia por 1000 horas e a eficiência energética numa escala de A a G.

Através da leitura do código QR é possível ter acesso a mais informações relacionada com a lâmpada, tais como informações sobre a cor (branco quente, branco neutro, branco frio), vida útil média e capacidade de atenuação.

Como interpretar as novas classes de eficiência energética

A nova etiqueta mantém a escala colorida do verde ao vermelho. O nível mais baixo é indicado pela classe G e a cor vermelha, enquanto que o melhor nível é representado pela classe A e a cor verde escuro.

Classe G

A classe energética G é a pior. No entanto, é comum encontrarmos nesta classe alguns eletrodomésticos que se encontravam a um nível muito mais elevado sob a antiga classificação.

Classe F

A classe F é uma das mais comuns. Inclui muitos tipos de eletrodomésticos com bons (mas não excelentes) padrões de consumo.

Por exemplo, uma máquina de lavar roupa com um consumo de eletricidade de 82 kWh por cada 100 ciclos de lavagem e um consumo anual de água de 8400 l, antes de março de 2021 teria atribuída a classe A++, enquanto que atualmente é enquadrada na classe F.

Classe E

Muitos grandes eletrodomésticos que anteriormente pertenciam às classes A+ e A+++ caem nesta faixa, apenas com algumas variações nos níveis de consumo de energia.

Classe D

A classe D é um pouco mais rara. Contudo, dentro desta classe encontramos vários aparelhos que anteriormente ostentavam uma classe energética de topo.

Na maior parte dos casos, a classe D é atribuída a todos os aparelhos que estavam marcados com A+++ e A++++ na antiga classificação.

Classes C, B, A

As classes C, B e A são (para já) as menos atribuídas, dado o nível de eficiência exigido atualmente ser extremamente elevado.

Entre os aparelhos que fizeram mais progressos a este respeito encontram-se máquinas de lavar louça e algumas máquinas de lavar roupa.

Concluindo, os critérios das novas etiquetas, ou seja, a nova escala, são muito mais rigorosos. Como resultado, muito poucos produtos conseguirão alcançar a classe “A”. Isto não significa que os produtos não sejam eficientes, mas sim que a União Europeia está constantemente a estabelecer critérios mais rigorosos, forçando os fabricantes a conceber e fabricar aparelhos que consumam menos energia e sejam mais amigos do ambiente.

A nova etiqueta energética dá, assim, aos fabricantes a possibilidade de aperfeiçoarem os seus produtos, investirem em tecnologias novas e mais eficientes e, a longo prazo, alcançarem a classe “A”.

Por isso, quando comprar um novo eletrodoméstico, lembre-se que a categoria A permanecerá vazia durante algum tempo para permitir o desenvolvimento de novas tecnologias. Isto significa que durante algum tempo, a melhor categoria nas lojas será a B .

E, claro, todos esperamos, para nosso próprio bem e para o bem do nosso planeta, que dentro de alguns anos sejamos “obrigados” a mudar novamente as etiquetas energéticas, porque todos os eletrodomésticos terão atingido novamente o nível “A+++”, mesmo com os critérios extremamente rigorosos desta nova escala! 🙂

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