Vieses cognitivos que sabotam as suas finanças: como os evitar!

Será que a sua mente está a prejudicar as suas finanças? Descubra como os vieses cognitivos podem estar a afetá-lo e aprenda a contorná-los.

Vieses cognitivos

Não será surpresa para muitos que a maioria das nossas decisões na vida são tomadas em meras frações de segundo, assentando sobretudo nas nossas experiências, preconceitos e instintos. Frequentemente, nem nos apercebemos disso e acreditamos piamente que todas as nossas decisões são fruto de um raciocínio lúcido e ponderado.

Se alguma vez se confrontou com ilusões de ótica, sabe bem quão facilmente o nosso cérebro pode ser enganado. O problema é que muita gente tem plena consciência disso… Publicitários, vendedores, políticos e consultores de todos os setores exploram as fraquezas do nosso cérebro para nos persuadir a optar pelos seus produtos, serviços ou ideias. Alguns podem ter boas intenções e desejar genuinamente ajudar-nos, enquanto outros, lamentavelmente, procuram apenas ludibriar-nos.

Os psicólogos defendem que a melhor forma de superar as nossas dificuldades emocionais é reconhecê-las e enfrentá-las conscientemente. De igual modo, os especialistas em Economia Comportamental identificaram uma série de vieses cognitivos que podem levar-nos a cometer deslizes na gestão do nosso dinheiro.

Quanto mais informados estivermos acerca destes equívocos, menor será a probabilidade de cometermos um erro que cause danos irreparáveis à nossa carteira. Um exemplo clássico de como o viés cognitivo tece a sua teia na tomada de decisão dos consumidores é a nossa inabalável tendência para abrir a carteira mais do que o necessário.

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Neste artigo, iremos explorar alguns dos vieses cognitivos mais frequentes que podem estar a conspirar contra os seus preciosos hábitos de consumo, como a ancoragem e a escassez, entre outros.

Conteúdo

Viés da ancoragem: uma ancora que nos prende às primeiras impressões

Neste astuto viés, as pessoas ancoram-se a um número ou informação inicial, que serve de base para decisões subsequentes.

Exemplo: como o preço inicial pode influenciar a nossa perceção de valor

Imagine que se depara com um produto cujo preço “incrivelmente reduzido” passou de €250 para €150. Nesse momento, é possível que sinta que encontrou a pechincha do século, mesmo que o preço habitual do produto seja apenas €125.

Como contornar o viés da ancoragem

Para contornar este subtil e enganador viés, é essencial fazer uma pesquisa abrangente antes de tomar decisões financeiras, especialmente ao comparar preços ou ponderar propostas. A informação é a sua melhor arma para evitar cair nas garras da ancoragem e, assim, garantir que as suas escolhas sejam realmente vantajosas.

Viés da escassez: o fascínio pelo raro e limitado

O viés da escassez faz com que, perante a ideia de raridade ou limitação, atribuamos maior valor a um objeto ou situação. Pense, por exemplo, numa promoção com a irresistível etiqueta “últimas unidades” ou “oferta válida apenas por algumas horas”. Estes apelos sedutores podem impelir-nos a adquirir algo que, em circunstâncias normais, não nos faria sequer piscar os olhos, simplesmente porque somos tomados pelo medo de perder uma oportunidade aparentemente única.

É comum encontrar esta estratégia no mundo das vendas e do marketing, onde se explora o nosso instinto natural de não querer ficar de fora de uma oportunidade exclusiva ou escassa. O resultado? Compramos coisas de que não precisamos, movidos pela ilusão de que estamos a fazer um negócio irrecusável.

Exemplo: a pressão do “último-minuto” no consumo

Imaginemos que está à procura de um novo smartphone e depara-se com uma oferta especial numa loja online. O anúncio exibe em letras garrafais: “Últimas unidades! Promoção exclusiva por tempo limitado!” Ainda que o desconto não seja extraordinário, o simples facto de o anúncio mencionar que as unidades são limitadas e a promoção tem duração restrita, aciona o viés da escassez.

Sob o efeito deste viés, sente uma urgência em aproveitar a oferta, preocupado com a possibilidade de perder a oportunidade de adquirir o smartphone a um preço mais baixo. Esta pressão leva-o a tomar a decisão de compra de forma precipitada, sem pesquisar outras opções ou comparar preços em diferentes lojas. Por conseguinte, acaba por comprar o smartphone sem ter certeza de que é a melhor opção disponível no mercado, influenciado pela sensação de escassez criada pelo anúncio.

Como resistir ao encanto do viés da escassez

Para resistir ao encanto deste viés, é crucial manter a objetividade e refletir cuidadosamente sobre as nossas necessidades e prioridades antes de nos deixarmos levar pela tentação da escassez. Lembre-se: muitas vezes, aquilo que parece ser uma oportunidade única pode não passar de um truque habilmente orquestrado para nos convencer a abrir os cordões à bolsa.

Viés do custo afundado: a armadilha do investimento perdido

O viés do custo afundado reflete a nossa inclinação para persistir em investir tempo, energia ou dinheiro numa situação, apenas porque já o fizemos anteriormente. Por exemplo, pode continuar a pagar a assinatura de uma revista que já não lê, unicamente porque gastou dinheiro nela no passado.

Todos acalentamos a esperança de que um esforço menos bem-sucedido possa ser redimido se tentarmos um pouco mais. Pode tratar-se de um negócio sem clientes suficientes, um software que se recusa a funcionar apesar das inúmeras correções de bugs, ou um investimento que persiste em desvalorizar-se. Em todos esses casos, contudo, somos atormentados pela sensação de que já gastámos dinheiro e esforço, e desejamos, de alguma forma, “recuperá-los”.

O viés do custo afundado impede-nos de encarar uma perspetiva perdida e leva-nos a desperdiçar ainda mais recursos na tentativa de reverter a situação. Em suma, a relutância em admitir o nosso erro apenas agrava a situação.

Exemplo: a armadilha do ginásio pré-pago

Imagine que, no início do ano, decidiu inscrever-se num ginásio e pagar antecipadamente uma anuidade, esperando que este compromisso financeiro o motivasse a frequentar o ginásio com regularidade. No entanto, após alguns meses, percebe que tem ido cada vez menos, devido a um horário de trabalho mais exigente e a outros compromissos pessoais.

Neste cenário, o viés do custo afundado pode entrar em ação, levando-o a continuar a frequentar o ginásio, mesmo que de forma esporádica e pouco eficiente, simplesmente porque já investiu uma quantia considerável no pagamento da anuidade. Em vez de reconhecer que o investimento inicial não está a produzir os resultados desejados e procurar alternativas mais adequadas às suas necessidades e disponibilidade, como exercícios ao ar livre ou treinos em casa, acaba por se manter no ginásio, tentando justificar o dinheiro já gasto.

Neste exemplo, o viés do custo afundado impede-o de tomar decisões mais racionais e ajustadas à sua situação atual, fazendo com que desperdice tempo e energia num investimento que já se mostrou ineficiente.

Como resistir ao viés do custo afundado

Resistir ao viés do custo afundado requer autoconsciência e uma abordagem racional na tomada de decisões. É essencial reconhecer que o dinheiro, tempo ou esforço já gastos não podem ser recuperados e que a decisão atual deve ser tomada com base no valor presente e futuro, desconsiderando o investimento prévio. Para tal, analise objetivamente as alternativas disponíveis e pondere os custos e benefícios de cada opção, sem deixar que a influência do investimento anterior nuble o seu raciocínio.

Praticar o desapego emocional e aceitar que todos cometemos erros pode ajudar a evitar que o viés do custo afundado nos leve a insistir em situações pouco vantajosas.

Viés da confirmação: a busca obstinada por suporte às nossas crenças

As pessoas têm tendência para procurar informações que validem as suas crenças prévias, descartando, com um olhar desconfiado, aquelas que as contrariem. Este hábito pode levar os consumidores a gastar dinheiro em produtos ou serviços que acreditam piamente ser superiores, mesmo que provas irrefutáveis desse estatuto brilhem pela sua ausência.

Esse viés ilustra a nossa propensão inata para dar mais crédito às informações que endossam as nossas opiniões. Alicerçados nas nossas convicções iniciais e escolhas passadas, selecionamos, sem dar por isso, aquelas informações que as corroboram, mesmo quando há uma montanha de evidências em sentido contrário. O fenómeno das câmaras de eco nas redes sociais é um exemplo típico, que nos impede de obter uma perspetiva mais objetiva e corrigir as nossas escolhas infelizes.

Exemplo prático: a armadilha do consumo de produtos biológicos

Pensemos numa situação em que acredita fervorosamente que os produtos biológicos são sempre mais saudáveis e saborosos do que os convencionais. Ao fazer compras no supermercado, é possível que só preste atenção às etiquetas que indicam “produto biológico” e ignore outros produtos que possam ser igualmente nutritivos ou até mais económicos.

Influenciado pelo viés da confirmação, tenderá a comprar apenas produtos biológicos, baseando-se na sua crença preestabelecida de que são superiores. Esta inclinação cognitiva pode levar a um consumo menos diversificado e a gastos desnecessários, uma vez que nem sempre os produtos biológicos são a opção mais vantajosa em termos de qualidade ou preço.

Neste exemplo, o viés da confirmação conduz a decisões de consumo menos informadas e limita a abertura a explorar outras alternativas no mercado, que poderiam até ser mais benéficas para a saúde e para a carteira.

Como resistir ao viés da confirmação

Para contornar este obstáculo cognitivo, é crucial cultivar uma postura crítica e aberta a diferentes perspetivas, procurando ativamente informações que desafiem as nossas crenças e nos ajudem a tomar decisões mais fundamentadas e imparciais, seja no âmbito financeiro ou noutros domínios da vida.

Viés do placebo: como a expectativa pode influenciar as nossas experiências

O viés do placebo é a tendência de acreditarmos que uma intervenção terapêutica (como um medicamento) funciona simplesmente porque acreditamos que funciona, em vez de qualquer efeito real da intervenção. Isso ocorre porque as nossas expectativas influenciam a forma como interpretamos as nossas experiências e podem levar a melhorias que não são atribuíveis à intervenção em si.

Este viés pode ser útil em algumas situações, mas também pode levar a tratamentos desnecessários ou ineficazes. É importante entender a diferença entre uma expectativa realista e uma crença irracional numa intervenção, e ser crítico em relação a alegações de curas milagrosas ou tratamentos duvidosos.

Exemplo do viés do placebo no consumismo

Algumas pessoas podem comprar produtos com afirmações enganosas ou sem comprovação científica, simplesmente porque acreditam que terão um efeito benéfico. Por exemplo, uma pessoa pode comprar um par de sapatos caros porque acredita que eles vão melhorar a postura e prevenir lesões, embora não haja evidência científica para apoiar essa afirmação. Esse viés pode levar as pessoas a gastar dinheiro em produtos que não são eficazes e, em alguns casos, pode ser perigoso para a saúde, especialmente quando se trata de suplementos ou medicamentos alternativos.

Como evitar o efeito placebo nas nossas decisões

O viés do placebo pode ser contornado através da consciência e da educação. Ao reconhecer que esse viés pode afetar as nossas perceções e crenças, podemos ser mais críticos relativamente às informações que recebemos e às escolhas que fazemos.

Devemos procurar consultar fontes confiáveis ​​e informações baseadas em evidências ao invés de depender apenas de histórias de sucesso ou de opiniões não fundamentadas. A busca por informações objetivas e a abertura para reconsiderar as nossas crenças podem nos ajudar a evitar sermos enganados pelo viés do placebo.

Viés da disponibilidade: quando a memória dita as regras do jogo

Ao sermos confrontados com a necessidade de tomar uma decisão, por vezes sucumbimos ao viés da disponibilidade, confiando em demasia nas informações que conseguimos recuperar rapidamente da nossa memória. Isso faz com que as nossas decisões assentem, na maior parte das vezes, nas nossas experiências pessoais e nas daqueles que nos rodeiam. Contudo, frequentemente, tais informações não espelham uma amostra objetiva da realidade, conduzindo-nos a uma avaliação equivocada.

“As criptomoedas têm fama de serem arriscadas, mas o meu amigo António amealhou uma pequena fortuna com elas. Por que não dar uma oportunidade?”, pensamos nós, enquanto ignoramos a possibilidade de o sucesso do nosso amigo ser um caso isolado e não representativo do panorama geral.

Este viés cognitivo também se manifesta quando somos influenciados por notícias recentes, anedotas ou eventos mediáticos, sobrevalorizando-os em detrimento de uma análise mais ponderada e abrangente.

Exemplo ilustrativo: a sedução do euromilhões

Imaginemos que recentemente ouviu no noticiário que várias pessoas ganharam prémios generosos no euromilhões. Essa informação, fresca na sua memória, leva-o a acreditar que as suas hipóteses de ganhar também são bastante elevadas. Entusiasmado com a possibilidade de sucesso, decide gastar uma quantia significativa de dinheiro no euromilhões.

No entanto, o viés da disponibilidade está a influenciar a sua decisão, fazendo-o focar-se apenas nos casos de sucesso recentes, sem considerar as probabilidades reais de ganhar no euromilhões, que são, na verdade, extremamente baixas. Se, em vez disso, analisasse dados estatísticos sobre as hipóteses de ganhar, provavelmente optaria por uma estratégia financeira diferente e mais realista.

Resistir ao viés da disponibilidade: uma abordagem mais ponderada

Para contrariar o viés da disponibilidade, é crucial adotar uma abordagem mais ponderada e consciente na tomada de decisões. Em vez de nos deixarmos levar pelas informações mais acessíveis na nossa memória, devemos procurar dados mais abrangentes e diversificados, analisando-os de forma crítica.

Ao confrontar diferentes fontes de informação, estaremos a criar um panorama mais equilibrado e realista, o que nos ajudará a tomar decisões financeiras mais acertadas e fundamentadas. Além disso, é importante dar tempo a nós próprios para refletir sobre os prós e contras de cada opção, evitando agir por impulso ou com base apenas em emoções.

Viés de familiaridade: o conforto do conhecido pode ser traiçoeiro

O viés de familiaridade ocorre quando somos influenciados pela recordação superficial que temos de um assunto, levando-nos a acreditar que o conhecemos a fundo. Tendemos a optar por produtos ou serviços dos quais já ouvimos falar em anúncios, notícias ou artigos, mesmo que não compreendamos exatamente o seu funcionamento ou qualidade. Em vez de dedicarmos tempo a uma análise mais aprofundada, acabamos por nos acomodar à opção mais familiar.

Este viés cognitivo pode limitar a nossa capacidade de explorar alternativas mais vantajosas, pois nos mantemos ancorados na zona de conforto proporcionada pelo conhecido.

Exemplo elucidativo: a escolha de um telemóvel novo

Imagine que está a planear adquirir um novo telemóvel e, na sua pesquisa, depara-se com uma marca desconhecida que tem ótimas avaliações e um preço atrativo. Contudo, acaba por escolher um modelo mais caro de uma marca popular e amplamente divulgada, simplesmente porque já ouviu falar dela e se sente mais seguro com essa opção familiar.

Neste exemplo, o viés de familiaridade leva-o a desconsiderar a alternativa menos conhecida e potencialmente mais vantajosa em termos de qualidade e custo, optando pelo conforto proporcionado pela marca com a qual já está familiarizado, mesmo que isso signifique gastar mais dinheiro.

Como superar o viés de familiaridade

Para superar o viés de familiaridade, é essencial cultivar a curiosidade e estar aberto a aprender sobre novas opções, diversificando as fontes de informação e aprofundando o nosso conhecimento antes de tomar decisões financeiras importantes.

Viés do ponto cego: a dificuldade de perceber as nossas próprias falhas

O viés do ponto cego refere-se à nossa tendência para identificar facilmente os erros cometidos pelos outros, enquanto temos dificuldade em reconhecer os nossos próprios equívocos. Cada um de nós pode ter peculiaridades e fraquezas, mas, frequentemente, arranjamos formas de justificar os nossos preconceitos e ações, mesmo quando os consideraríamos irracionais se observados noutra pessoa.

Exemplo: o consumo excessivo

Considere o exemplo de dois amigos, João e Maria, que adoram fazer compras online. Ambos são ávidos consumidores de promoções e costumam aproveitar as ofertas relâmpago das suas lojas preferidas. O João critica frequentemente a Maria por acumular roupas e acessórios desnecessários, alegando que ela se deixa levar pelas promoções, sem realmente precisar dos itens adquiridos.

No entanto, o João ignora o facto de que ele próprio também cai na mesma armadilha, acumulando gadgets em casa, muitos dos quais acabam por ficar inutilizados. Ele justifica a suas compras acreditando que, ao contrário da Maria, ele faz escolhas inteligentes e sempre aproveita as melhores ofertas.

Neste exemplo, o viés do ponto cego impede o João de reconhecer que o seu comportamento de consumo é tão impulsivo e irracional quanto o da Maria. Ambos seriam beneficiados se desenvolvessem maior autocrítica e reconhecessem os próprios hábitos de consumo excessivo.

Como contrariar o viés do ponto cego

Para contrariar o viés do ponto cego, é fundamental desenvolver a autocrítica e a humildade, reconhecendo que estamos, de igual modo, sujeitos a erros e preconceitos. Ao adotarmos uma postura mais reflexiva e aberta a feedbacks construtivos, conseguiremos melhorar a nossa tomada de decisões e evitar armadilhas financeiras decorrentes deste viés cognitivo.

Viés do enquadramento: a influência do modo como as opções são apresentadas

O viés do enquadramento demonstra como as nossas respostas a uma pergunta ou escolha podem ser moldadas pela maneira como a informação é apresentada.

Este viés é frequentemente explorado por anunciantes e políticos para direcionar o público na direção da opção que favorece os seus interesses. Por exemplo, ao folhearmos um catálogo de uma loja, somos atraídos pelas ofertas com descontos de 30%, 40% ou 50%, sem considerar a relação entre o desconto e o preço inicial do produto.

Exemplo ilustrativo: o viés do enquadramento nas compras online

Imagine que está a fazer compras online e encontra dois produtos similares, mas um está a ser vendido como “produto mais vendido” e o outro como “produto novo”. É possível que seja influenciado pelo viés do enquadramento e opte pelo “produto mais vendido”, mesmo que não haja diferença real entre eles. Isso ocorre porque a ideia de que um produto é popular pode ser suficiente para nos convencer de que é a melhor escolha.

Como resistir ao viés do enquadramento

Para resistir a este viés, é fundamental adotar uma abordagem crítica e questionadora, analisando as opções disponíveis de diferentes ângulos e perspetivas. Isso nos ajudará a evitar ser influenciados pelas táticas de enquadramento e tomar decisões financeiras mais informadas e ponderadas

Viés do excesso de confiança: quando acreditamos que somos imunes aos riscos

O viés do excesso de confiança é o erro cognitivo mais comum, em que acreditamos que somos invencíveis e podemos ter sucesso onde outros falham. Mesmo que sejam apresentados dados que mostrem que a maioria dos investidores em CFD perde dinheiro ou que as probabilidades de ganhar em jogos de casino são baixas, acreditamos que esses dados não se aplicam a nós.

Daniel Kahneman, um dos principais especialistas em Economia Comportamental, considera este erro como “a força motriz do capitalismo”, já que o otimismo dos empresários é o que os leva a assumir riscos. No entanto, o excesso de confiança pode levar a erros trágicos e fracassos se não for acompanhado por realismo e habilidades reais.

Exemplo: decisões financeiras arriscadas

Um exemplo do viés de excesso de confiança seria um investidor que decide investir uma grande quantia em ações de uma empresa em particular, apesar de haver sinais claros de que a empresa não está a ter um bom desempenho. O investidor pode pensar que é mais inteligente do que a média e que conseguirá ganhar dinheiro com o investimento, mesmo que as probabilidades estejam contra ele. Esse excesso de confiança pode levar a perdas significativas no investimento.

Como resistir ao viés do excesso de confiança

Para resistir a esse viés, é necessário adotar uma abordagem realista e cética relativamente aos riscos e oportunidades. Isso pode ajudar a evitar decisões financeiras baseadas no otimismo irrealista e a tomar escolhas mais fundamentadas e conscientes.

Viés da falácia do apostador: quando a crença na sorte pode levar a perdas financeiras

O viés da falácia do apostador descreve a crença errada de que um evento aleatório é mais provável de acontecer devido a eventos anteriores. Isso é comum em jogos de azar e investimentos financeiros, onde o jogador ou investidor acredita que sua sorte mudará após várias perdas. No entanto, as probabilidades de ganhar ou perder em cada tentativa são independentes das tentativas anteriores, e a crença na falácia do apostador pode levar a perdas significativas.

Exemplo: jogos de azar

Um exemplo comum desse viés é quando um jogador de casino aposta cada vez mais alto, acreditando que a sua sorte mudará e ele finalmente ganhará. Ele pode continuar a jogar, mesmo após perder várias vezes seguidas, convencido de que a sua “sorte” está prestes a mudar. No entanto, as probabilidades estão sempre contra ele, e, eventualmente, ele poderá perder todo o seu dinheiro.

Como evitar a armadilha da falácia do apostador

Para evitar cair na armadilha da falácia do apostador, é importante ter consciência das probabilidades e dos riscos envolvidos em qualquer jogo ou investimento. É fundamental lembrar que os resultados anteriores não têm impacto nas probabilidades das tentativas futuras e que a sorte não é uma força que se possa controlar ou prever.

Em vez de confiar em crenças e intuições, é necessário fazer uma análise objetiva e sistemática dos dados disponíveis, estabelecendo metas realistas e seguindo um plano cuidadoso. Além disso, é importante definir limites claros para as perdas e para os ganhos, evitando a tentação de continuar a jogar ou investir além do ponto onde os riscos superam as possíveis recompensas.

Sobrecarga de escolha: como a abundância de opções pode nos paralisar na tomada de decisões

A sobrecarga de escolha pode ser especialmente problemática em situações em que as consequências das decisões são importantes ou significativas para nós. Isso ocorre porque muitas opções aumentam a pressão sobre nós para tomarmos uma decisão perfeita, o que pode ser impossível quando as opções são tão numerosas.

A sobrecarga de escolha pode levar a um sentimento de arrependimento e insatisfação mesmo após tomarmos uma decisão, pois sempre haverá a sensação de que a outra opção poderia ter sido melhor. É por isso que os especialistas recomendam limitar as escolhas a um número razoável e entender claramente as diferenças entre as opções apresentadas antes de tomar uma decisão.

Exemplo: como a sobrecarga de escolha pode afetar a escolha de um seguro de saúde

Imagine que uma pessoa precisa de escolher um seguro de saúde e tem imensas opções disponíveis. Ela pode ficar sobrecarregada com a quantidade de informações e opções diferentes, resultando numa paralisia na tomada de decisão. Ela pode não ter conhecimento suficiente sobre os diferentes planos e serviços oferecidos por cada companhia de seguros, e pode sentir-se incapaz de escolher a melhor opção para si. Como resultado, ela pode adiar a decisão ou até mesmo evitar completamente a escolha do seguro, o que pode ser prejudicial a longo prazo.

Como contornar o fenómeno da sobrecarga de escolha

O fenómeno da sobrecarga de escolha pode ser contornado com algumas estratégias simples, como limitar o número de opções ou torná-las mais fáceis de entender.

Devemos reconhecer quando estamos a enfrentar esse problema e permitir-nos tempo suficiente para tomar uma decisão, evitando a pressa que pode levar a escolhas inadequadas.

Procurar informações sobre as opções disponíveis, estabelecer prioridades e definir critérios para a escolha pode ajudar a simplificar a decisão.

Em vez de tentar escolher entre muitas opções de seguros de saúde, por exemplo, pode ser mais eficaz fazer uma lista das necessidades pessoais e comparar apenas as opções que se adequam a elas. Dessa forma, é possível evitar a paralisia da escolha e tomar uma decisão mais informada e consciente.

Efeito Dunning-Kruger: como a autoestima excessiva pode afetar as suas decisões de compra

O Efeito Dunning-Kruger é um fenómeno interessante e que tem repercussões significativas nas nossas escolhas e decisões de compra.

Este viés leva as pessoas a acreditar que são mais capazes ou mais inteligentes do que realmente são, levando-as a tomar decisões inadequadas. Isso pode ocorrer em muitas áreas da vida, desde investir num negócio que não entendem até comprar produtos caros que não precisam.

Exemplo de como o efeito Dunning-Kruger pode afetar a tomada de decisão

Um exemplo do efeito Dunning-Kruger pode ser visto em pessoas que se consideram especialistas em um determinado assunto, mas na verdade não possuem o conhecimento ou a habilidade necessários.

Por exemplo, um indivíduo pode acreditar que é um especialista em investimentos, apesar de ter pouca ou nenhuma experiência ou conhecimento técnico. Isso pode levá-lo a fazer escolhas de investimento inadequadas, que podem resultar em perdas financeiras significativas. Além disso, essa pessoa pode desconsiderar aconselhamentos de especialistas no campo, confiando apenas na sua própria opinião superestimada.

Como evitar o efeito Dunning-Kruger

Para evitar o efeito Dunning-Kruger, é essencial ter humildade e reconhecer que não sabemos tudo. É importante procurar o conhecimento e a orientação de especialistas antes de tomar decisões importantes, especialmente aquelas relacionadas com o nosso dinheiro.

Podemos sempre pedir conselhos de pessoas que confiamos e ser abertos à possibilidade de aprender com os nossos erros. É importante lembrar que a busca pelo conhecimento e a prática são a chave para melhorar as nossas habilidades e tomar decisões mais acertadas.

Comportamento de rebanho: como a influência social pode levar a decisões irracionais

O comportamento de rebanho é um viés que pode ter consequências graves em diferentes contextos, desde a nossa vida social até aos investimentos financeiros.

Ao seguir as escolhas do grupo, podemos acabar por tomar decisões que vão contra os nossos valores e interesses. No entanto, este comportamento pode ser difícil de evitar, especialmente quando estamos sob pressão social ou quando nos sentimos inseguros. Portanto, é importante que, ao tomar decisões, consideremos cuidadosamente as nossas próprias necessidades e objetivos, e não apenas seguirmos cegamente o que os outros estão fazendo.

Exemplos de comportamentos de rebanho

Um exemplo comum de comportamento de rebanho é quando um grupo de amigos decide comprar um determinado produto ou seguir uma tendência de moda, e os outros membros do grupo acabam por seguir a mesma escolha, mesmo que não estejam convencidos ou interessados naquilo.

Outro exemplo pode ser visto no mercado financeiro, quando muitos investidores compram ou vendem um determinado ativo com base na “emoção” do mercado, em vez de analisar os dados financeiros e fundamentais do ativo.

Como evitar o viés do comportamento de rebanho

Para evitar o viés do comportamento de rebanho, é importante fazer uma análise crítica e independente das informações e opiniões que recebemos.

É importante não tomar decisões com base apenas na opinião da maioria ou em emoções momentâneas, mas sim realizar uma pesquisa mais aprofundada e avaliar as evidências objetivamente.

É também fundamental sermos conscientes dos nossos próprios preconceitos e tendências pessoais, para não sermos influenciados pela pressão social.

Por fim, é importante lembrar que a diversidade de opiniões e perspetivas é crucial para evitar comportamentos de rebanho e tomar decisões mais informadas e equilibradas.

Viés da ilusão de controlo: quando acreditamos ter o controlo de situações aleatórias

Muitas vezes, a ilusão de controlo pode levar a decisões de investimento arriscadas ou prejudicar o desempenho do investimento, quando os investidores acreditam que podem controlar o mercado de alguma forma.

Exemplo de ilusão de controlo

Por exemplo, os traders que investem em ações com base em gráficos de preços e indicadores técnicos podem acreditar que têm controlo sobre o desempenho das ações. No entanto, muitos fatores externos e imprevisíveis podem afetar o desempenho do mercado, e a análise técnica não é garantia de sucesso.

Como evitar cair na armadilha da ilusão de controlo

O reconhecimento de que algumas coisas estão além do nosso controlo pode ajudar a evitar essa ilusão e levar a decisões de investimento mais fundamentadas.

Viés da aversão à perda: porque tememos as perdas mais do que procuramos os ganhos

Este viés leva-nos a tomar decisões de modo a evitar perdas a todo custo, mesmo que isso implique não aproveitar oportunidades de ganhos. Isso é particularmente visível no mercado financeiro, onde os investidores muitas vezes vendem as suas ações em pânico quando há uma queda no mercado, mesmo que a longo prazo a situação possa se estabilizar e até melhorar.

Exemplo: viés de aversão à perda e os seus efeitos no investimento

Um exemplo de viés de aversão à perda é quando um investidor mantém uma ação em queda por muito tempo, mesmo que as evidências indiquem que a ação continuará a cair, porque ele não quer realizar a perda e admitir que tomou uma má decisão de investimento. Isso pode levar a perdas ainda maiores, já que o investidor está a manter um ativo em queda e perdendo oportunidades de investimento noutros ativos com melhor desempenho. O investidor está mais preocupado em evitar uma perda imediata do que em maximizar os seus ganhos a longo prazo. Esse comportamento pode ser influenciado pelo viés de aversão à perda, onde a dor de perder é maior do que o prazer de ganhar.

Como contornar o viés da aversão à perda

Para contornar esse viés, é importante avaliar os riscos equilibradamente e não tomar decisões baseadas apenas no medo de perder. É importante lembrar que todas as decisões têm riscos e, às vezes, é necessário correr riscos calculados para alcançar os nossos objetivos.

Contabilidade mental: quando a nossa mente nos impede de gerir o dinheiro com eficiência

A contabilidade mental é um viés financeiro que nos leva a separar o nosso dinheiro em categorias distintas, muitas vezes com base em etiquetas pessoais, em vez de o considerarmos como um todo. Isso pode prejudicar a nossa capacidade de tomar decisões financeiras sólidas e pode resultar em gastos desnecessários ou dívidas acumuladas.

A tendência a priorizar os gastos em determinadas categorias em detrimento de outras pode levar-nos a negligenciar contas importantes, como dívidas do cartão de crédito ou pagamentos de empréstimos.

Exemplo de contabilidade mental na gestão das finanças pessoais

Um exemplo de contabilidade mental pode ser quando alguém recebe um bónus no trabalho e decide gastá-lo numa viagem de férias, enquanto deixa as dívidas do cartão de crédito acumularem. Mesmo que o dinheiro do bónus possa ser usado para amortizar as dívidas com juros altos, a pessoa prefere manter a “etiqueta” de que esse dinheiro é para um propósito específico, ignorando os custos adicionais que a dívida pode acarretar.

Como evitar a armadilha da contabilidade mental

Para evitar a armadilha da contabilidade mental, é importante ter uma visão holística e abrangente das nossas finanças pessoais. Em vez de separar o dinheiro por gastos específicos, é melhor criar um orçamento global que considere todas as despesas e rendimentos, e estabelecer prioridades claras.

É também importante reconhecer que o dinheiro é um recurso limitado e, muitas vezes, precisamos fazer escolhas difíceis para atingir os nossos objetivos financeiros de longo prazo. Também podemos ser flexíveis com as nossas etiquetas de gastos e ajustá-las conforme necessário para garantir que usamos o nosso dinheiro de forma inteligente.


Como vimos, os vieses cognitivos podem ter um grande impacto nas nossas decisões financeiras e na nossa capacidade de gerir o dinheiro de forma eficaz.

É importante estar ciente desses vieses e trabalhar para evitá-los, tanto quanto possível. Ao tomar decisões financeiras, é essencial avaliar as informações de forma imparcial e ter em conta todos os fatores relevantes, em vez de sermos influenciados por vieses inconscientes.

Com a prática e a consciência, podemos melhorar a nossa capacidade de tomar decisões financeiras informadas e racionais, para alcançar os nossos objetivos financeiros a longo prazo.


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