Doomscrolling

Doomscrolling: o que é e como prejudica a nossa saúde mental

No passado recente, as pessoas mantinham-se informadas através da rádio e da televisão. Atualmente, a maioria de nós tem acesso às notícias em qualquer altura e em qualquer lugar a partir dos nossos smartphones, tablets ou computadores. Isto inclui, é claro, notícias negativas!

Como estamos “programados” para não desviar o olhar, ficamos facilmente presos às notícias negativas e continuamos a tropeçar nelas vezes sem conta à medida que fazemos scroll. Fazemos isso de forma tão frequente e obsessiva que existe agora um termo para este hábito: doomscrolling.

O doomscrolling afeta-nos sem que sequer nos apercebamos disso. Sentimo-nos incapazes de controlar as situações e acabamos cada vez mais infelizes a cada dia que passa.

O que é o doomscrolling?

Doomscrolling (ou doomsurfing) significa a constante procura de notícias negativas. É claro que esta atividade se intensifica à medida que surgem acontecimentos negativos e catastróficos no mundo. Há dois anos, assistimos a um aumento de doomscrolling quando fomos surpreendidos pela pandemia do COVID-19 em todo o mundo.

Atualmente, enfrentamos outra ameaça que alimenta esta tendência. Desde o início da guerra, os motores de busca têm reportado um aumento nas pesquisas por palavras-chave como Terceira Guerra Mundial, guerra e invasão.

É natural querermos compreender os acontecimentos dramáticos que se desenrolam à nossa volta e procurar o máximo de informação quando sentimos medo. Mas a exposição a más notícias durante demasiado tempo pode ser prejudicial.

Um estudo recentemente publicado descobriu que as pessoas que assistem constantemente a más notícias têm maior probabilidade de sofrer de problemas de saúde física e mental.

O que nos acontece quando fazemos doomscrolling?

Durante o doomscrolling, os níveis de serotonina (muitas vezes referida como a hormona da felicidade), diminuem significativamente e a probabilidade de sofrer de depressão ou de um distúrbio de ansiedade aumenta. Tornámo-nos demasiado empáticos e deixamos que todas as coisas más que acontecem no mundo afetem o nosso bem-estar e que pensamentos negativos inundem as nossas mentes. E quanto mais tempo permanecermos neste estado, mais nos habituamos a ele.

Por que fazemos doomscrolling?

O doomscrolling é provavelmente a forma mais imediata que encontramos para “ganharmos controlo” sobre uma situação. No fundo, quando nos sentimos incapazes de mudar uma situação, podemos ficar stressados e tentamos assumir o controlo do que podemos. E embora seja raro conseguirmos controlar os acontecimentos mundiais (pandemia, guerras, catástrofes naturais, etc.), podemos certamente controlar o conteúdo que consumimos. E é exatamente aí que falhamos quando fazemos doomscrolling.

Por que devemos combater o doomscrolling?

O doomscrolling pode parecer inofensivo ou mesmo normal, mas também pode ser extremamente prejudicial para a nossa estabilidade emocional e desenvolvimento intelectual. Permanecer permanentemente colado a um ecrã de um telemóvel nunca é bom, especialmente quando o conteúdo que consumimos é na sua maioria negativo. Este hábito pode também distraí-lo e desviá-los de outros aspetos importantes da sua vida, tanto em casa como no trabalho.

Durante o auge da propagação do COVID-19, houve um expectável aumento do doomscrolling. A internet estava repleta de más notícias e as pessoas, na sua maioria, tinham muito mais tempo livre para as visualizar.

De acordo com alguns estudos realizados, muitas pessoas aumentaram as suas horas de visualização de notícias quando os confinamentos começaram. No entanto, algumas pessoas, ao se aperceberem que esse hábito as stressavam e as distraíam das suas tarefas diárias, decidiram implementar estratégias para limitar a exposição às más notícias.

Vários estudos constataram que a limitação da exposição às notícias ajudou as pessoas a lidarem melhor com a situação.

Como evitar o doomscrolling?

O mais importante é começarmos por reconhecer que existe um problema, que o nosso hábito é, de facto, prejudicial à nossa saúde mental e que o nosso desejo de nos mantermos atualizados sobre todos os desenvolvimentos, acaba por ser tóxico.

Quando nos dermos conta do problema, não temos outra escolha senão estabelecer limites para nós próprios.

Manter-se informado é importante, especialmente em situações de catástrofe em que é necessário saber como se manter em segurança. No entanto, existem formas de equilibrar a necessidade de se manter informado com a necessidade de proteger o seu bem-estar.

Assim, se está numa situação em que as notícias negativas o sobrecarregam, estas estratégias podem ajudá-lo a encontrar o equilíbrio:

  • Deixe de seguir as fontes de informação que divulgam conteúdos negativos, especialmente nas redes sociais.
  • Reserve um tempo específico para se manter a par dos tópicos negativos. Tente manter-se informado, mas limite o tempo de exposição às notícias. Em vez de verificar as notícias periodicamente ao longo do dia, defina uma hora específica e pense em que hora do dia terá um impacto mais positivo para si.
  • Experimente tornar-se parte da solução dos problemas que tanto o atormentam, como, por exemplo, fazendo voluntariado com organizações que recolhem alimentos para os refugiados.
  • Tente divertir-se na Internet. Comunique ou encontre-se, por exemplo, com amigos e colegas que têm uma perspetiva otimista.
  • Procure a positividade, leia ou assista a algo positivo.
  • Ao sentir que está a voltar ao doomscrolling, force-se imediatamente a fazer outra coisa.
  • Recorra a apps que o ajudem a monitorizar o tempo que gasta nas redes sociais ou nas plataformas onde passa demasiado tempo a consumir notícias negativas.
  • Dificulte o seu hábito. Tornando um pouco mais difícil o acesso às notícias pode dar-lhe uma oportunidade de parar e pensar. Pode, por exemplo, mover as suas apps de redes sociais e de notícias, para uma pasta no seu telemóvel, em vez de as ter mais acessíveis no ecrã inicial.
  • Não leve o telemóvel para a sua beira quando se deita para dormir. Isso diminuirá a tentação de espreitar uma última notícia antes de dormir, o que já se sabe, acaba por nos tomar muito mais tempo do que prevemos.

Quando a informação negativa se torna uma obsessão ou uma banalidade, é necessário parar e retomar as rédeas.


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